"Maputo acordou quarta-feira, 1, sitiada por milhares de pessoas a manifestar-se contra o aumento brutal do custo de vida. Conheça as razões do descontentamento da população." (Visão)
A inestimável STV faz o que pode enquanto a televisão oficial (TVM) transmite uma telenovela mexicana.
Por aqui houve versões para todos os gostos.
(RTPN)
(SIC)
"A cidade de Maputo, capital de Moçambique, está a ser palco de uma espécie de «guerra» esta quarta-feira, na sequência de uma greve que originou manifestações aparentemente espontâneas." (TVI)
Mais um vídeo da TVI
Ao fim do dia a comunicação iluminada do PR.
"Depois de os conflitos terem acalmado um pouco durante a tarde, com o anoitecer voltaram a ouvir-se pela cidade de Maputo tiros e com o reforço da vigilância voaram helicópteros por toda a região de Maputo." (noticias.sapo.mz)
"O Comando Geral da Polícia da República de Moçambique apresentou ao principio da noite de hoje,o balanço preliminar das manifestações ocorridas esta manhã nas cidades de Maputo e Matola." (noticias.sapo.mz)
"Confrontos já chegaram à cidade da Beira, há pelo menos quatro mortos" (TSF)
"Por um lado, é um protesto justo naquilo que pretende do Governo, que não toma medidas para estancar o crescimento do custo de vida, não dialoga e esconde-se na crise internacional, ao mesmo tempo que dá sinais de esbanjamento e de vidas faustosas." (in Público)
"Agora as ordens parecem claras: ninguém pode passar para o cimento. Rapidamente tudo se precipita e os disparos, exclusivamente da polícia, tomam as mais variadas direcções, com dois deles a deixar um corpo já cadáver e outro em estado grave que acaba por ser socorrido pela Cruz Vermelha." (Público)
A razão e o sentido de dois motins (Público)
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Revolta em Maputo
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Uma blogger às cegas
No meio da confusão gerada pelos p-fólios do segundo semestre e outras confusões que não são agora para aqui chamadas, visitei a Yoani Sanchez no seu movimentado blog que já tinha referido aqui e aqui.
Porque o blog é censurado em Cuba aqui vai o texto original e a tradução possível.
01 07 2008
Red ciudadana
Escrito por: Yoani Sanchez en Generación Y
«Lo que comenzó como un impulso individual, se está convirtiendo en una plaza de encuentro para la discusión y el debate. Generación Y ha logrado involucrar a un montón de personas en todas partes del mundo que me ayudan con la actualización, las traducciones y la difusión de los textos. La colaboración principal ha sido para colgar los posts, pues desde la última semana de marzo no he podido acceder al sitio en los cibercafé públicos ni en los hoteles. De manera que envío mis textos por email, algunos amigos los publican y me mandan -también por correo electrónico- los comentarios que dejan los lectores. Soy una blogger a ciegas, una cibernauta con una balsa que hace aguas y que logra flotar gracias al apoyo de una espontánea red ciudadana.
Todo el portal http://www.desdecuba.com/ sigue bloqueado en los servidores de locales públicos. He ido haciendo una copia de los mensajes de error que muestran los navegadores cuando intento acceder y aquí les dejo una muestra. También sé que el apagón no es total. Amigos que tienen internet en sus centros de trabajo pueden visitar el sitio, pero eso me sirve de poco, pues a esos lugares soy yo la que no puedo entrar.
No obstante, tengo los mismos deseos de escribir en esta bitácora que cuando empecé. Ahora con más testarudez, pues no hay nada que me resulte más atractivo que aquello que se me impide hacer. Para saltar las dificultades de la conectividad y llegar a los lectores dentro de la Isla, otros amigos han creado un minidisk con el contenido del Blog, que distribuyen gratuitamente. A todos quiero agradecerles el apoyo, los remos y el viento que me permite mantener el rumbo.»
«O que começou como um impulso individual, está a tornar-se num local de encontro para discussão e debate. O Geração Y conseguiu envolver um grande número de pessoas em todas as partes do mundo que me ajudam com a actualização, as traduções e a divulgação dos textos. A principal colaboração tem sido para colocar os posts, pois desde a última semana de Março não tenho podido aceder ao site nos cibercafés públicos ou nos hotéis. De maneira que envio os meus textos por e-mail, alguns amigos publicam-nos e mandam-me - também por correio electrónico - os comentários que os leitores deixam. Sou uma blogger às cegas, uma cibernauta com uma jangada que mete água e que consegue flutuar graças ao apoio de uma rede espontânea de cidadãos.
Todos o portal http://www.desdecuba.com continua bloqueado nos servidores dos locais públicos. Tenho vindo a fazer uma cópia das mensagens de erro que os navegadores mostram quando tento aceder e aqui lhes deixo uma amostra. Também sei que o apagão não é total. Amigos que têm Internet nos seus locais de trabalho pode visitar o site, mas isso serve-me de pouco, pois nesses lugares sou eu quem não pode entrar.
No entanto, tenho a mesma vontade de escrever neste blog que quando comecei. Agora com mais teimosia, porque não há nada que resulte mais atractivo para mim que aquilo que se me impede de fazer. Para ultrapassar as dificuldades de conectividade e chegar aos leitores dentro da Ilha, outros amigos criaram um minidisco com o conteúdo do blog, que distribuem gratuitamente. A todos quero agradecer o apoio, os remos e o vento que me permitem manter o rumo.»
Não tem de quê, ajudar é sempre um prazer.
sábado, 5 de julho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Durão solidário com os irlandeses
«Numa alusão à crise institucional em que a UE mergulhou há três anos, na sequência da rejeição do anterior projecto de Tratado Constitucional em referendos em França e na Holanda, o presidente do executivo comunitário afirmou que a Europa não se pode dar ao luxo de continuar a "gastar energias" com mais crises institucionais e tem de combater o pessimismo.
"O Mundo não fica à espera que a Europa resolva o seu problema institucional" e é necessário enfrentar os desafios globais tais como a segurança energética, alterações climáticas, terrorismo, imigração e "uma competição mais dura que nunca", afirmou.» (Público)
Depreender-se-á por aqui, que vão arregaçar as mangas, colocar a questão do tratado para trás das costas e começar a trabalhar a sério.
«Barroso garantiu no entanto que Dublin pode contar com o apoio de Bruxelas e dos restantes Estados-membros.
"Vamos trabalhar com os nossos amigos irlandeses num espírito de solidariedade", assegurou.» (SIC Online)
Espírito de solidariedade . . . isto promete.
«O presidente da Comissão Européia voltou a dizer que o processo de ratificação do Tratado de Lisboa deve prosseguir nos oito países que ainda não assumiram uma posição, para depois se procurar - sem precipitação, mas com alguma urgência - a solução para superar a crise.
Na sessão plenária, alguns deputados britânicos eurocéticos empunhavam faixas e exibiam camisetas com os dizeres: "Respeitem o voto irlandês".» (Lusa)
É que cada vez percebo menos de política.
Mas de jornalismo vou percebendo algumas coisas. Como o facto dos jornalistas recorrerem com muita frequência ao copy paste das notícias da Lusa e aparentemente uns dos outros (reparem nos dois últimos parágrafos em cada notícia).
Ué?! eu também faço isso mas eu sou uma bloguinha (e tento ser um nadinha mais criativa).
terça-feira, 17 de junho de 2008
Democracia às vezes
«A Irlanda ficou com a responsabilidade de encontrar uma saída para o impasse que ela própria criou.
(...)
tendo o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendido a continuação do processo de ratificação, a despeito do “não” irlandês
(...)
"Estamos convencidos de que as reformas contidas no Tratado de Lisboa são necessárias para tornar a Europa mais democrática e mais eficaz e que lhe permitirão responder aos desafios com que os nossos cidadãos estão confrontados", afirmaram, na mesma linha, os líderes da França e da Alemanha numa declaração de reacção conjunta.» (Público)
Cá em casa também é assim.
Todos temos opinião válida.
Se escrutinamos uma ida ao Jardim-zoológico em família e eu voto não, eles vão sozinhos.
«O PCP alerta ainda “para as manobras dos que, à semelhança do que sucedeu com a rejeição popular na França e Holanda, pretendem agora manter a ratificação de um Tratado que está juridicamente morto”.
Também o eurodeputado do Bloco de Esquerda se congratulou com a vitória do “não”, considerando que os eleitores irlandeses concretizaram um desejo “de todos os europeus que queriam votar [neste tratado] e foram impedidos pelos seus Governos”. Criticando os que defendem a continuação do processo de ratificação, Miguel Portas garante que, “neste momento, o Tratado de Lisboa está morto”.» (Público)
E isto não é "porreiro" para uma certa carreira que já nasceu . . . digamos que não foi de parto natural.
(os bolds são meus)
quarta-feira, 11 de junho de 2008
"Ele não fez aquilo para matar o colega"
«(...)condutor do pesado de mercadorias que atropelou José Ventura já foi constituído arguido pelo tribunal de Torres Novas, aguardando julgamento com termo de identidade e residência.
O acidente ocorreu esta terça-feira por volta das 13 horas, depois do motorista de um camião que tinha efectuado a descarga no centro de distribuição ter sido obrigado pelo piquete a imobilizar a viatura.
Segundo o tenente Figueiredo, o dono da transportadora acabou por deslocar-se ao local para retirar o pesado, mas foi recebido com insultos e tentativas de agressão física. Na altura, várias grevistas penduraram-se na cabina do veículo, mas acabaram por cair depois do camião avançar «dois a três metros», altura em que José Ventura foi atropelado. O condutor do pesado acabou por parar mais à frente na berma da EN3, tendo sido conduzido pela GNR ao posto de Santarém.» (IOL)
«José Ventura, o motorista falecido, 53 anos, proprietário de uma pequena empresa de transportes do concelho de Torres Novas, "pendurou-se na janela da cabine do camião", para tentar convencer o motorista a não abandonar aquela área (nó da A1 com a A23), onde se mantinha, ao final do dia de ontem, um dos piquetes para promover a paralisação dos transportes de mercadorias. Depois de "abrandar a marcha", o condutor do camião "acelerou e no cruzamento, apesar do sinal Stop, virou para a esquerda sem parar, recorda, ao DN, Manuel Agostinho, outro dos elementos do piquete, que, na altura almoçava com alguns colegas. José Ventura caiu, acabando por ser apanhado pelo rodado do veículo, conta, ao DN, um motorista, sem subscrever totalmente esta versão. "Ele não fez aquilo para matar o colega". José Ventura "não deve ter conseguido segurar-se e caiu", acrescenta o mesmo condutor, escusando identificar-se. » (DN)
Entretanto o jornal Público insiste em tratar todos os grevistas por camionistas
«Os três representantes dos camionistas que se reuniram hoje com o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, saíram do encontro satisfeitos com o que ouviram.» (Público)
Quando um "comunicado do SITRA (Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes) refere (...) que a maioria dos camionistas que aderiu à greve está em «situação híbrida em termos de estatuto laboral»." (IOL)
E os organizadores da greve, os donos das transportadoras, vão provar ao povo que o crime compensa.
«"A reunião foi extremamente produtiva. Foi o início de uma negociação que todos pensamos que durante o dia de hoje terá um desfecho agradável para todos nós", anunciou aos jornalistas António Loios, o porta-voz da comissão organizadora do protesto dos transportadores rodoviários de mercadorias. O ministro dos Transportes, Mário Lino, recebeu ao início da tarde três elementos da comissão, durante o intervalo nas negociações que está a levar a cabo com a ANTRAM (Associação Nacional dos Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias), entretanto retomadas.» (RTP)
Agora . . . tan, tan, tan, tam . . . para levantar a moral nas hostes . . . esta é para rir.
«O ministro da Administração Interna lamentou, em Brasília, a morte de José Ventura. "O Ministério da Administração e as forças de segurança irão desenvolver todas as medidas para que a Constituição valha, para que os direitos sejam respeitados e para que as pessoas possam circular e trabalhar livremente", disse Rui Pereira citado pela Lusa. O governante deixou ainda um aviso: "Portugal é um Estado de direito democrático, onde prevalece a lei e a Constituição e, por isso, espero que todos os cidadãos tenham sentido de responsabilidade cívica". » (DN)
Mas não pensem que isto fica por aqui. É que na tal reunião, diz o Público que já chama os bois pelos nomes.
«A Associação Nacional dos Transportes Rodoviários de Mercadorias (Antram) e Governo chegaram esta tarde a acordo
(...)
António Mouzinho, presidente da Antram, explicou que foram acordadas medidas "de natureza conjuntural e estrutural", bem como "medidas de ordem fiscal" e alterações na legislação laboral.
O responsável revelou que o Executivo não cedeu na principal pretensão do sector – o acesso das empresas de camionagem ao gasóleo profissional –, mas destacou várias outras conquistas, como a redução do custo das portagens no período nocturno durante o próximo ano.
(...)
António Mouzinho admitiu que não cabe à Antram desconvocar um protesto que não convocou, mas apela aos seus associados que tenham aderido à paralisação para que se dirijam à associação a fim de obterem esclarecimentos sobre os apoios conseguidos "ao final de vários meses" de negociações. (Público)
terça-feira, 10 de junho de 2008
Patrões, mais gentis que camionistas
Depois de um elemento de um piquete ser atropelado mortalmente
«O líder do bloqueio da Zibreira explicou que o único objectivo do piquete era perguntar ao motorista se desejava aderir à paralisação. (...) "Se a pessoa não queria aderir não adere"» (TSF)
A mim nunca nenhum camionista perguntou se desejava aderir . . . e só não me atropelaram porque eu nunca me pus à frente deles para pedir boleia (e pendurar-me, só nos eléctricos).
«O tenente-coronel Costa Lima do comando da GNR avançou à TSF que o incidente aconteceu quando o homem tentou pendurar-se num camião, mas acabou por cair, tendo sido atropelado pelo pesado.» (Público)
Parece-me que essa pergunta (deseja aderir?) terá que ser colocada noutros moldes . . . mais suaves ainda.
«a situação estava a ser particularmente grave na zona do Carregado, onde os camionistas que querem abandonar a paralisação estavam a ser «agredidos verbalmente» e ameaçados fisicamente se quisessem prosseguir viagem.» (TSF)
«"Distúrbios, pedradas e a danificar propriedade alheia, espero que não aconteça mais", rematou o primeiro-ministro» (Público)
«José Sócrates criticava os excessos no protesto dos camionistas, mas ressalvou que não está em causa a legitimidade da contestação.» (TSF)
Ressalvando então que esta contestação é legítima, Socrates apenas quer dar um puxão de orelhas porque não se atiram pedras às pessoas e assegura
«"Daremos a ajuda que pudermos [às transportadoras] e não aquela que puser em causa o interesse dos outros portugueses", referiu José Sócrates, sublinhando que a ajuda a sectores específicos não poderá pôr em causa o equilíbrio das contas públicas do país. "Não poremos em causa o interesse geral por qualquer interesse específico"»(Público)
É bom ouvir o Primeiro Ministro dizer que não vão pôr em causa o interesse geral por qualquer interesse específico, principalmente depois de tomar conhecimento das instruções do Ministério da Administração Interna
«O Ministério da Administração Interna transmitiu às forças policiais "instruções claras e precisas" para "assegurar que o transporte e o abastecimento de combustíveis se efectuem com todas as condições de segurança".» (Público)
«Uma coluna de camiões da Jerónimo Martins está a ser escoltada pela polícia, ultrapassando desta forma o bloqueio imposto pelas empresas de transporte de mercadorias, afirmou uma fonte policial no Carregado.» (TSF)
ADENDA:
«Um elemento de um piquete de camionistas em Granada foi hoje atropelado mortalmente (...) O camionista, 47 anos, era residente na localidade de Peligros (Granada), casado e com filhos, e trabalhava para um empresário em nome individual que dispunha apenas de um camião. (...) morreu também por atropelamento um elemento de um piquete na localidade Zibreira (Torres Novas). A vítima mortal, 52 anos, trabalhava na transportadora Euro-Ventura, tendo sido atropelado quando tentava parar outro motorista. Em Granada, testemunhas no local, os colegas da vítima mortal, afirmaram que o incidente ocorreu quando o camionista abordou uma furgoneta que estava a descarregar mercadoria num supermercado, localizado nas mediações do mercado, para informar sobre os motivos da paralisação. A vítima aproveitou que a furgoneta reduziu a velocidade para apoiar-se na janela do veículo, mas o motorista optou por não parar e continuou a andar.» (SIC)
Por aqui podem ver-se os "pedidos" de adesão à greve
Aveiras - GNR escoltou 40 camiões até centro de abastecimento de combustível (SIC)
Suspeitas de fogo posto - Camião ardeu junto à estrada,em Castanheira do Ribatejo. (SIC)
«O camionista apedrejado, Raul Fernandes, estava revoltado, até porque o transporte de animais vivos está autorizado pelos organizadores do protesto. O camião acabou por seguir viagem com os quatro piscas ligados.» (RTP)
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Que se vayam todos
. . . e que fiquem por lá.
Já agora, Argentina - La Toma, um filme canadiano (uma hora, vinte e seis minutos e quarenta e sete segundos), que encontrei no PROSAS VADIAS.
«O filme descreve o processo de recuperação de empresas, na Argentina, por parte dos trabalhadores. Um filme dos canadenses Avis Lewis e Naomi Klein.
Com boa vontade “subversiva” e “de emocinar” através de uma “história humana”, nos antípodas do reality show, Klein e Lewis afirmam que “La toma” deu “uma volta de 180 graus ao debate sobre a globalização”. Como? “Apresentando alternativas” a uma problemática, a da fuga de capitais e a deslocalização de empresas, capaz de "arrasar um país fronteiriço entre o primeiro e o terceiro mundo como a Argentina, mas que ameaça igualmente Barcelona, Toronto e Caracas”.
Lewis reconhece que fábricas foram ocupadas noutros locais e momentos da história, mas destaca o caso argentino “um novo ênfase na democracia com base em assembleias” e o exemplo de uma luta construtiva que substitui “a tradição da greve” pela “Insistência no direito e a necessidade de trabalhar com dignidade”.
Klein salienta: "Se nos anos 70 a ocupação de fábricas foi resultado de uma ideologia global, hoje inverteu-se o processo e a política nasce e cresce em acções como a de ocupar não só uma fábrica, mas também uma casa, ou um centro social, ou – apropriados na Internet - um programa de software livre ou uma canção”.»
(Tradução possível)
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Obama e os frangos
Eu sei que muitos de vocês vêm aqui na esperança de saber algo mais sobre as minhas memórias escabrosas. Ou não . . . Se calhar caíram aqui por engano. O google tem dessas coisas . . . uma pesquisa por lixo, ou camelos em África e vêm aqui parar. Mas a família vem aqui saber de nós . . .
E eu com os frangos do Sr. António.
Que querem? Acho divertida a maneira como eles atravessam a machamba desabrigada, com pequenas corridas. Escondem-se atrás dos pequenos pés de milho que resistiram à fúria devastadora, que apenas lhes tapam as pernas curtas, olham em volta e lançam-se novamente num desvario até ao pé de milho mais próximo.
Penso que é um assunto bem mais saudável que, por exemplo, o primeiro discurso de Obama sobre política externa, em que declara «um apoio incondicional a Israel» . . . ou também que «Sem se referir a eventuais negociações com Teerão, Obama disse que as ambições nucleares iranianas representam “uma séria ameaça” à estabilidade do Médio Oriente. “O meu objectivo é eliminar esta ameaça” e “tudo farei o que estiver a meu alcance para evitar que o Irão obtenha armas nucleares», garantiu, antes de uma forte ovação em pé dos presentes na conferência.» (Público) . . . ou ainda (é um nunca acabar de surpresas), descobrir que no tal discurso maravilhoso em New Hampshire, que originou uma música e que eu postei aqui, Obama também disse “We will end this war in Iraq. We will bring our troops home. We will finish the job - we will finish the job against Al Qaida in Afghanistan...” . . . (NYTimes.com)
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Confissão de Yoani
Tradução (dentro das minhas possibilidades) de um post de Yoani, autora do blog "Geração Y", que referi neste post.
«Denúncia - alegação - confissão
Avisam-me que em cima da mesa de um qualquer gabinete descansa o “meu caso”. Um dossier completo de provas de infracções cometidas, um volumoso processo de ilegalidades que se acumulou nestes anos. Os vizinhos sugerem-me que me disfarce com óculos escuros e desligue o telefone quando quiser falar de algo privado. Pouco, muito pouco - esclarecem-me - pode já ser feito, para que não me toquem à porta uma manhã bem cedo.
Até lá, quero assinalar que não guardo armas debaixo da cama. No entanto, cometi um delito sistemático execrável: Acreditei-me livre. Tão-pouco tenho um plano concreto para mudar as coisas, mas em mim, a queixa substituiu o triunfalismo e isso é – definitivamente - punível. Jamais pude dar uma bofetada a alguém, não obstante neguei-me a aceitar o sistemático esbofeteamento ao meu “eu cívico”. Este último é condenável no mais elevado grau. Para além disso, e apesar de não ter furtado nada alheio, quis “roubar” – em repetidas ocasiões - o que acreditava pertencer-me: uma ilha, seus sonhos, seus legados.
Mas não se fiem; não sou de todo inocente. Tenho em minha posse um montão de coisas: compradas sistematicamente no mercado negro, comentei em voz baixa – e em termos críticos – sobre quem nos governa, pus alcunhas aos políticos e comunguei do pessimismo. Para cumulo, cometi a abominável infracção de acreditar num futuro sem “eles” e numa versão da história diferente da que me ensinaram. Repeti os slogans sem convicção, lavei os trapos sujos à vista de todos e - magna transgressão – uni frases e juntei palavras sem permissão.
Eu declaro – e assumo o castigo que me calhe - que não fui capaz de sobreviver e cumprir todas as leis, ao mesmo tempo.»
Se alguém quiser fazer correcções à tradução, esteja à vontade, eu agradeço.
sábado, 17 de maio de 2008
Impõe-se um esclarecimento aos munícipes.
Pouco me importa se as barraquinhas são cinzentas, verde-cueca ou rosa-choque. Se em Assembleia geral se chegou a um consenso relativamente aos modelos dos stands isso tem que ser respeitado.
Eu até nem vou à Feira do Livro este ano mas incomoda-me, muito, que uma Câmara que não tem dinheiro, se dê ao luxo de parar os trabalhos de montagem, inclusivamente adiar a inauguração, porque alguém quis ser figura de excepção e não fez a inscrição pelas vias regulamentares. Algo está podre no processo.
Está a interferir na organização da Feira, entregue, bem ou mal, à APEL (Associação portuguesa de editores e livreiros), em nome de um qualquer interesse público.
Urge saber o que é que a Câmara Municipal de Lisboa considera de “interesse público”, porque é o meu dinheiro que escoa para o bolso de interesses que estão longe de ser os meus (públicos).
Numa notícia do Público de 16-05-08 lia-se «Num memorando entregue esta manhã na autarquia, a APEL reafirmou estar aberta à inclusão daquele grupo editorial na Feira, "desde que se inscreva nas mesmas condições de todos os participantes".
A APEL, lê-se no comunicado, "nunca aceitou qualquer compromisso para o acolhimento de novos modelos de stands" e nunca esteve em causa um "regime de excepção" para o Grupo Leya participar no certame.»
Em que é que ficamos? E quem é que presta esclarecimentos aos munícipes já embrulhados com toda esta caldeirada?
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Anónimos de todo o mundo, uni-vos!
Cavaco manda lei orgânica da PJ para o Tribunal Constitucional
«“Este pedido tem como fundamento uma eventual violação de reserva de lei ou de reserva de decreto regulamentar, uma vez que aquelas normas remetem para simples portaria a futura aprovação de uma disciplina inovatória relativa à definição de competências específicas das unidades de uma força de segurança, das quais decorre a prática de actos de polícia passíveis de afectar direitos, liberdades e garantias dos cidadãos”, refere a Presidência da República num comunicado publicado hoje no seu site na Internet.» (Público)
13.05.2008 - 18h47 - Anónimo, Portugal
O que define um estado de direito é a garantia dos direitos e liberdade dos cidadãos. Tal exige uma separação de poderes. Poder Legislativo; Poder Executivo e Poder Judicial. A tentativa de colocar o poder judicional sobre a alçada do poder executivo, deve levar todos os portugueses a temerem o pior. Mesmo os socialistas que agora se sentirão mais confortáveis pelo facto do seu partido se encontrar no poder, podem mais tarde vir a arrepender-se amargamente de nada terem feito. Nada garante que já a partir do ano que vem outra força política ganhe as eleições. A defesa da liberdade exige atenção permanente. E neste país ainda há muita gente ressabiada com saudades do antigamente....
Faço minhas, as palavras deste leitor esclarecido.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Então e o Carvalho da Silva???
O dirigente sindical Carvalho da Silva é presença assídua nos noticiários das diversas televisões. Reúne um relativo consenso das esquerdas. É bom comunicador.
Na discussão da sua tese (eu fui ouvir e confesso que não aguentei muito tempo lá dentro pois estava um calor insuportável), o espaço estava apinhado de notáveis. Já no lançamento do livro se passou o mesmo.
E diz o director de informação da RTP (via Público) que não existem figuras (de esquerda) com capacidade de comunicação semelhante à dos comentadores com programas próprios naquela estação? Ele até é um mocinho bem parecido. Mais do que Ruben de Carvalho, que não se irá incomodar, nem as pessoas que o apoiam, presumo, com esta minha preferência.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Obrigada? Não obrigada!
"O Bloco de Esquerda apresentou hoje na Assembleia na República um projecto de lei que pretende tornar obrigatória a frequência de uma área curricular de educação sexual nas escolas, com a duração de 90 minutos."
Como isto está, com toda esta confusão instalada no ensino, ainda venho a descobrir um dia destes que a minha filha pré adolescente, está obrigada a ter educação sexual com um recém-licenciado em novas tecnologias (ou pior ainda, em psicologia).
Para que não hajam dúvidas, quero deixar claro que eu sou a favor da educação sexual nas escolas mas quando esta me oferecer garantias de qualidade. E não quero que isto passe como um insulto aos professores, também eles têm lutado pelo mesmo.
Obrigatório!?!?!? Dizerem-me isto logo a mim, que só de ouvir a palavra fico com urticária.
Já quando tornaram o 12º ano obrigatório também não concordei. Quem é que paga o ensino gratuito até ao 12º ano? Depois vêm com estudos dizer que as famílias estão endividadas. Pois estão!
Nestas condições . . . não há condições!
“A falta de vontade política do ministério, num contexto em que os professores estão afogados em tarefas burocráticas e exigências crescentes, fez com que a educação sexual tenha sido, mais uma vez, um completo fracasso”. (Público)
Não é com a imposição que vão lá.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
O meu 1º de Maio
Quando coloquei o meu post anterior fiquei a remoer . . . "que raio, no 1º de Maio e estou eu para aqui a falar do dia da espiga" . . . uns blogues mais adiante e fui obrigada a comentar algo que achei um nada injusto.
Agora matutando de novo . . . é que é mesmo isso, esta será a minha manifestação.
Marta disse...
Acho que a questão não se deveria colocar nesses termos. Eu sou sindicalizada porque, apesar de haver alguma instrumentalizaçao dos sindicatos por parte dos partidos, a união faz a força, de facto. Já beneficiei de aconselhamento jurídico do meu sindicato e por outro lado, vezes houve em que me baldei a manifestações por achar que as rendivicações não tinham ponta por onde se lhe pegar. Mas uma coisa é certa, todos os meses pago uma quantia mínima de cota e sinceramente espero, que esse dinheiro que é feito com a cota de todos, tal como me serviu para a advogada, sirva também para que a trabalhadora lá da santa terrinha possa vir ajudar a engrossar a sopa.
1 de Maio de 2008 22:29
Ahhh!!! Então está tudo explicado.
A Junta de Freguesia da Ericeira não pode utilizar óleos reciclados para mover os carros do lixo. Porquê?
"O ministro do Ambiente, Nunes Correia, disse ontem em Paris, que Portugal quer utilizar dez por cento de biocombustíveis nos transportes antes de 2020, a meta definida pela União Europeia.
Nunes Correia encontra-se na reunião ministerial da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)."
(...)
"Nunes Correia admite que Portugal está "com dificuldades em alcançar as metas de emissões previstas em Quioto". No entanto, no caso dos transportes, "Portugal até se propôs antecipar o prazo e pretende antecipar", a União Europeia tinha definido 2020 como a meta para este objectivo. Para isso “está a apostar nos biocombustíveis [provenientes da produção agrícola] de segunda ou até mesmo de terceira geração. ”, disse à Lusa." (Público)
Assim faz sentido . . . ?!?!?!
domingo, 27 de abril de 2008
ASAE ataca de novo
Amigos do ambiente perseguidos na Ericeira.
"A junta de freguesia da Ericeira foi multada em sete mil euros utilizar óleos reciclados para mover os carros do lixo, em vez de comprar combustíveis fósseis, pelo que o Estado se considera lesado. O presidente da junta, citado pela TSF, já garantiu que não vai pagar a multa.
Joaquim Casado explicou que há vários anos que recorrem aos óleos usados mas que só agora a Direcção-Geral de Finanças do Ministério da Economia e a Direcção-Geral das Alfândegas o informaram da necessidade de legalizar a produção de biodiesel. “Fiz todos os esforços para me legalizar e, depois de preencher uma série de requisitos, fiquei espantado ao deparar que a quota está esgotada no país”, acrescentou o presidente da junta.
(...)
A junta de freguesia da Ericeira afirma que foi pioneira na recolha porta-a-porta dos óleos usados que começou por entregar a uma empresa de produção de biodiesel. "Com esse dinheiro comprámos fotocopiadoras para todas as escolas do ensino básico e só mais tarde é que se avançou para a produção própria de bio-combustível", disse Joaquim Casado." (Público)
É o que eu digo. Qualquer dia vem cá a casa porque eu deixei estragar sopa.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
. . . e Abril foi assim . . .
25 de Abril 1974 - Revolução dos Cravos
25 de Abril Dispensava o Pégaso no fim mas . . .
Portugal, Lisboa. Revolução de 25 de Abril de 1974 (Reportagem do cerco ao Quartel do Carmo)
Assustador de facto . . . eu diria mais, hilariante.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Sem comentários
Crise internacional apressou Tratado de Lisboa (DN)
"A Assembleia da República aprovou ontem o Tratado de Lisboa por uma expressiva maioria, com PS, PSD e CDS unidos no voto a favor do documento. PCP, BE e PEV votaram contra, apontando a perda de soberania nacional como o mal maior de um texto que dizem ser um "passo atrás" na construção europeia."
Jardim disponível para apoiar Santana Lopes (Sol)
"O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, não deverá avançar para a liderança do PSD e deu hoje o seu apoio a uma eventual candidatura de Pedro Santana Lopes ..."
Mugabe festeja vitórias da recontagem (JN)
"Ao mesmo tempo que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, se prepara para apresentar uma proposta de embargo de armas ao Zimbabwe, a Zanu, partido de Robert Mugabe, festeja as primeiras vitórias na recontagem dos votos e que, anteriormente, tinham sido atribuídas à Oposição. O Movimento para a Mudança Democrática (MDC) afirma que a recontagem, feita sem a presença de observadores externos, é uma tentativa de lhe retirar a maioria conquistada nas eleições legislativas do dia 29 de Março."