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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Lei de Murphy

Numa tradução livre no inicio do blog (por Tom Jobim), esta lei diz que quando algo corre mal, há sempre mais qualquer coisa que pode correr menos bem.

Em vésperas de regressar a Portugal, quisemos dar uns dias de praia à criança (não vai ter tempo para isso quando chegarmos). Depois de uma pesquisa nas páginas meteorológicas, cheguei à conclusão de que o tempo ia piorar.
Aqui, estamos no pino do inverno e está frio (o suficiente para eu me molhar só até ao joelho mas ainda dá para ela passar meia hora seguida no molho, de onde só sai quando eu a chamo porque em vez de um saudável vermelho-quase-lagosta, ela começa a ficar roxa). Decidimos de imediato (no primeiro fim-de-semana de Agosto).

Nota: faço notar, a quem não me conhece, que quando digo “vermelho-quase-lagosta” estou a gozar com os turistas que tanto apreciam esse tom e relevo de pele mas não me passa pela cabeça deixar a filhota chegar sequer à cor, quanto mais ao tom (é claro que já me descuidei mas é raro).

Tudo correu mal.
Como o Paulo muito bem sintetizou e sem entrar em pormenores, a natureza não programou a nossa ida à Inhaca. O resultado foi um dia de praia sem mar, pois a maré só encheu a horas indecentes. O vento estava tão forte e tão frio que nem na piscina dava para estar.

Bom . . . nem tudo correu mal . . . a meio da última noite e de uma insónia provocada pela algazarra que o vento fazia nas arvores (Sintra é, em comparação, o lugar mais silencioso do mundo), um pássaro (exótico certamente), que madrugada fora refilou bem alto por uma parceira, fez-me lembrar de que estamos em África e do meu fascínio por ela.
A espertina permitiu-me também traçar, com três horas de antecedência, um rigoroso plano de emergência, caso a avioneta (que o Paulo apelida de sapato) caísse no regresso.

Eu não tenho nada contra as avionetas de 15 lugares (apenas terror) mas tenho tudo contra os aviões em geral.
Até que me tenho portado muito bem, tendo em conta o pavor que tenho de voar numa lata fechada, atestada de gasolina e de ilustres e imprevisíveis desconhecidos.
Apenas duas vezes perdi a compostura. Uma, quando reparei que os lugares nos aviões normais estavam a ficar cada vez mais apertados, inclusivamente para mim que tenho a particularidade de caber em qualquer cochicho e uma segunda vez, quando um passageiro desesperado pelo calor tentou fazer uma ligação directa na ventoinha de uma avioneta (sapatinho) que tresandava a gasolina. “Por que no te quedas?!!!” (Ops! Má escolha e eu sem madeira por perto)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Brushing das pestanas

Tenho o mesmo rímel que herdei da minha mãe (sem ela saber) desde a adolescência. Ou antes, tinha, o rímel desapareceu e algo me diz que já passou para a próxima geração. É muito raro pintar-me e quando o faço, uso apenas o dito e um pouco de cor nas maçãs e nos lábios, para ir a um jantar mais especial ou algo do género. Coisa leve. Normalmente só as mulheres é que reparam que me pintei.

Há dias, como não encontrava a relíquia, tive que pôr um rímel novo, uma incógnita para mim. Daqueles que, anunciam, dão mais volume às pestanas.
E não é que dão mesmo! Fiquei impossibilitada de pestanejar e duas linhas escuras atravessavam o meu campo de visão.
Como já não tinha tempo para limpar aquela pasta dura, limpei a escovinha com papel (como costumo fazer) para separar as pestanas melhor. Piorou. Em S. O. S. pedi à minha filha o pente das bonecas. Nada feito . . . por pouco não ficava com ele lá colado também. Entretanto a nossa boleia chegou e saímos.

Chegados ao restaurante, tive que avisar os convivas para terem cuidado com os cumprimentos, não fosse eu vazar-lhes um olho.
Vermelha, sem sequer ter posto blush, expliquei às duas convivas curiosas, que como estava habituada a usar o antigo, ainda não tinha experimentado aquele rímel novo e não lhe conhecia os efeitos perversos. Teria que vasculhar a casa e encontrar o outro.
“Mas o rímel só se pode usar até três meses depois de abrir! Pode causar infecções.”, “Nunca tive problemas". Aparentemente o meu rímel, o que herdei da minha mãe, já estava morto. Agora está morto e enterrado.

Tenho que ficar atenta às pestanas da filhota.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

"...sonhando versos e sorrindo em itálico..."

"Ah a frescura na face de não cumprir um dever!

Faltar é positivamente estar no campo!

Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!

Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros.

Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,

Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha.

Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.

Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.

É tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,

Deliberadamente à mesma hora…

Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.

É tão engraçada esta parte assistente da vida!

Até não consigo acender o cigarro seguinte…

Se é um gesto,

Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida."

1929, Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Mundo Pessoa

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Deixar de fumar

Como resolução de aniversário e resultado de uma promessa que fiz (largar os cigarros aqui em Maputo), comecei a deixar de fumar.

Digo comecei, porque se trata de um processo, por etapas, que iniciei há já algum tempo.
Primeiro foi a promessa, fase muito importante do processo. Aquela em que um dia nos comprometemos com alguém muito querido, que nos vai moer o juízo nos próximos meses para cumprirmos o prometido.
Depois vem a mentalização. Uma lista interminável com as desvantagens de fumar, contra a única vantagem (“sabe bem”), que vamos lentamente interiorizando:
Faz mal à saúde em geral e à pele em particular, ando sempre com um ar acinzentado;
Tira-me a capacidade de resistência e já não consigo subir doze andares de escadas para evitar o elevador;
Empesta-me com um cheiro desagradável, do qual a minha filha foge e que me deixa sempre pouco à vontade num espaço exíguo como o de um elevador;
Está a estragar-me a voz (se é que ainda tem reparação) e já não posso cantar num qualquer momento que me apeteça, com medo de me sair a cana rachada;
O dinheiro gasto em cigarros dar-me-ia para comprar qualquer coisa ao fim de um ano, nada muito extravagante mas é dinheiro na mesma.
Com certeza que existem outras motivações bem mais relevantes mas se foram estas que me vieram à cabeça, são estas que tem estado a fazer efeito.
Agora chegou o momento de passar à acção. Nada de muito radical (não quero todos à minha volta a dar em doidos no decorrer da minha demanda), consiste apenas num fumar consciente, isto é, só vou fumar quando o meu cérebro o pedir e não apenas porque alguém puxou de um cigarro, porque me apetece ou porque sim. Vou com isto reduzindo o número de cigarros e a minha dependência ao acto de fumar, sem me tornar numa terrível radical anti-fumo, que desata a despachar decretos-lei em casa própria, infernizando a vida de familiares e amigos.

Para quem me conhece (e já agora para quem nunca me conheceu) . . . nunca mais serei a mesma.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Chorar à mesa

Hoje quase me desfiz em lágrimas em frente a uma feijoada à transmontana.

Não foi porque a saudade me ferroasse ou porque a feijoada estava boa. Estava boa de facto, como eu não como há já alguns anos (agora toda a gente usa feijão de lata). Quero acrescentar que tudo no restaurante (O Escorpião) estava óptimo: o atendimento, o tempo de espera, a comida, o ambiente . . . a conta . . .

O objecto da minha emoção estava no meio daquela salganhada que é uma feijoada à transmontana. Um pedaço de moleja, iguaria que eu não tinha o prazer de saborear desde a infância e que alguém deixou passar (os talhantes agora guardam a moleja para si). Veio-me à memória o arroz de moleja da minh’avó . . .

Eu não dou grande importância à comida (ou não dava, antes de conhecer o meu mais-do-que-tudo). Uma boa refeição ou é divinal e saboreia-se, ou serve de conduto para um bom convívio. Mas na grande maioria das vezes, as refeições e a sua obrigatoriedade só me atrapalham o ritmo.

Aqui, não sei o que me dá . . .
Já uma vez, quando cá estive há uns anos e deparei com uma vistosa e saborosa couve portuguesa no prato, quase me vieram as lágrimas aos olhos. Fiz um tal festival, que os clientes do restaurante se convenceram de que eu não comia há semanas.

Já chorei à mesa, em tempos idos, pelas razões mais comuns: porque não queria comer a sopa; porque a carne tinha “nervos”; porque a açorda era "nhanhenta" . . . e na altura o que nos punham à frente era para comer mesmo, sem apelo.
Agora a comoção tem mais a ver com a nostalgia . . . saborear uma maçã que não sabe a pepino . . . ou um tomate com consciência de classe . . .

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Então e o Carvalho da Silva???

O dirigente sindical Carvalho da Silva é presença assídua nos noticiários das diversas televisões. Reúne um relativo consenso das esquerdas. É bom comunicador.
Na discussão da sua tese (eu fui ouvir e confesso que não aguentei muito tempo lá dentro pois estava um calor insuportável), o espaço estava apinhado de notáveis. Já no lançamento do livro se passou o mesmo.
E diz o director de informação da RTP (via Público) que não existem figuras (de esquerda) com capacidade de comunicação semelhante à dos comentadores com programas próprios naquela estação? Ele até é um mocinho bem parecido. Mais do que Ruben de Carvalho, que não se irá incomodar, nem as pessoas que o apoiam, presumo, com esta minha preferência.

sábado, 3 de maio de 2008

A Maria Joana e eu

Quando conheci a Maria Joana, estava eu com a minha melhor amiga (em pleno arranque da adolescência) e preparou-se um grupinho que, com pompa e circunstância, se dirigiu para casa dela para formalmente sermos apresentadas.
Atrapalhei-me um pouco com a dona da casa a espreitar pela porta do quarto. Sem se importar com o aparato, disse-nos que não queria barulho. Surpreendida quis perguntar porquê mas não tive tempo, tivemos que correr para as escadas e abafar as gargalhadas. Estávamos a ter um valente ataque de riso, coisa invulgar em adolescentes.

Cruzava-me com ela de vez em quando até que deixei de a encontrar. Conheci então o haxixe, não era a mesma coisa mas também era agradável e já haviam outras problemáticas a envolver a questão. Uma delas era precisamente a proibição. Dos amigos que tive, cujos pais a deixaram entrar em casa, regra geral todos eles estão bem. Muito bem até.
Não sei se o factor proibição não leva a que muitos prossigam teimosamente, característica muito marcada nos adolescentes, sem se aperceberem que estão a aventurar-se cada vez mais em mar-alto.

Se a minha filha alguma vez quiser fumar, que o possa fazer em casa. Não aposto que vá preferir o conforto e o à vontade do lar, em vez de o fazer na escola ou em outros sítios menos desejáveis. Mas mais facilmente saberei em que pé é que as coisas andam e que discurso carregado de sabedoria e de experiência lhe poderei preparar.

Durante alguns anos fomos amigas, a Maria Joana e eu. Acalmava-me em dias de grande stress, quando chegava a casa e me sentava com ela a ouvir música. Era ela também, musa inspiradora, que estimulava a minha criatividade e me desatava os sentidos.
Os melhores trabalhos artísticos que fiz, que decoram a casa das pessoas que sempre a apontaram como má companhia, foram feitos com ela. Em contrapartida, aquele rapaz tão bem-posto, tão bom mocinho e tão “careta”, óptima companhia na opinião de qualquer pessoa de bem, deixou-me num frangalho.

Curiosamente, lembro-me de tudo o que fiz com ela e relativamente ao B52 (pai dos shots), já não posso dizer o mesmo.

Já alguém me disse que ela estimula a manifestação de problemas assintomáticos latentes. Não tenho tanta certeza que os problemas latentes não se revelarão na mesma, mais cedo ou mais tarde, com o avançar da idade e o acumular das pressões.

Quando, começou a deixar de haver haxixe, não quis avançar mais. Não posso dizer o mesmo de alguns amigos, que se embrenharam em outras experiências e desapareceram. Privilegiada, eu tive um posto de observação, o local onde cresci e onde, desde cedo, pude ver o efeito que as drogas pesadas têm nas pessoas.

E um dia . . . «Nem erva (Cannabis), nem haxe (haxixe), agora só vendo “cavalo” (heroina). Se corro o risco de ser preso, ao menos que seja com algo que dá dinheiro a sério e que ainda por cima é mais fácil de disfarçar. E há também a questão da fidelização do cliente, volta sempre» (esta última declaração foi feita com um sorriso irónico que me gelou a espinha).

Naquele momento, quando o dealer me explicou, descaradamente, as razões da sua escolha de nicho de mercado (depois de eu lhe perguntar porque é que já não vendia erva), decidi que acabava ali.

Tenho pena . . . mas não tenho pachorra para andar à procura nos cantos escuros da cidade, nem para lidar com escroques que não hesitam em tentar vender-me veneno. Nem tenho vida para isso.
Mas acima de tudo, tenho saudades . . . do cheiro, do ritual, do convívio e principalmente, estou farta destas complicações com a saúde, que eu sei que se resolveriam com ela e que já nem com os medicamentos artificiais posso resolver, também esses deixaram de ser fabricados. Anda tudo ao mesmo.

É hoje! É hoje!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Mau-feitio genético

Disse em post anterior que não me importo que minha filha seja parecida com o pai. Referia-me às parecenças físicas mas não me importava que fosse parecida em tudo o resto. A personalidade e o carácter saiu “cuspidinho” do meu.
Claro que tem muita coisa do pai, fruto da convivência e da educação, mas aqueles traços de personalidade que nos marcam para todo o sempre e nos gravam na memória (na minha e na dos outro) as coisas inqualificáveis que fizemos ...

Tem as mesmas preocupações pelos males do mundo que eu tinha e que aprendi a dosear.
É mais inteligente. Enquanto eu queria fundar uma comunidade de pessoas, ela quer formar uma comunidade de animais.
O pai também tem as mesmas preocupações mas lida com as coisas de maneira diferente, é mais racional.
No jardim zoológico, por exemplo, perante a imagem dos macacos injustamente fechados em jaulas, a primeira reacção dela (que já foi a minha também) é abrir a jaula e libertá-los. O pai, também quer dar-lhes a liberdade . . . através de um processo demorado e penoso, que envolve entrevistas às partes envolvidas (de preferencia com umas cervejas a acompanhar), uma profunda problematização da questão e se houver uns debates pelo meio, a coisa fica ainda mais democrática. Conclui o procedimento, com a enunciação de uma tese que nem eu, nem os carrascos (muito menos os macacos) entendemos.

Da mesma maneira que eu reagia com fúrias aos acessos de fúria da minha mãe, a minha filha reage aos meus e vai ter fúrias pela vida fora, até ter filhos e gramar as fúrias deles também. É hereditário.
Eu tenho quase sempre o SPM duas semanas antes do tempo previsto, ela tem SPM todas as manhãs ao acordar.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Que grande espiga!

Esqueci-me de apanhar o meu raminho.
Normalmente compro-o. Em Lisboa não é fácil de apanhar mas aqui, é o que não falta.

Todos os anos, dita a tradição, que na quinta-feira de espiga se apanhem os raminhos (que por aí se vêm à venda), para oferecer às pessoas que nos são mais próximas.

Simbologia:
A espiga - que haja pão, que nunca falte comida e que haja abundância no lar;
O ramo de folhas de oliveira - que haja paz (a pomba da paz traz no bico um ramo de oliveira) e que nunca falte a luz (sabedoria, bom senso, o que lhe quiserem chamar). Antigamente o azeite era o combustível das lamparinas;
Flores (malmequeres, papoilas, etc.) - que haja alegria (simbolizada pela cor das flores). O malmequer ainda, simboliza o ouro e a prata, a papoila, o amor e a vida e o alecrim, a saúde e a força.

(Obrigada às minhas colegas "virtuais" (que, como costumo dizer, de virtual não têm nada) por me fazerem recordar este dia para mim tão simbólico e para o meu homem uma carga de trabalhos, pois ele é alérgico e tem que gramar com um ramo de flores silvestre a apodrecer pela casa, durante um ano.)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Argoladas

Ora! Fui eu desafiada pelo Antropocoiso a dizer 6 coisas que não me importo de fazer ou de ter. Como as regras já têm vindo a ser subvertidas na sua demarcação “ter e fazer”, quem sou eu para quebrar correntes. Passo a bola a quem, muito melhor do que eu, saberá repor ordem na tasca.

Regras:
- Dizer 6 coisas que não se importe de fazer ou de ter.
- Colocar o link da pessoa que o "mimou".
- Colocar as regras no blog.
- Desafiar 6 pessoas, deixando um comentário nos seus blogs.

Aqui vai:

Não me importo de fumar cannabis sativa, mas só se estiver sozinha ou em muito, mesmo muito boa companhia.

Não me importo de ter preterido uma carreira musical em nome de uma dignidade (que inevitavelmente arrasto pela lama) e de uma felicidade que tem os seus altos e baixos mas que é real.

Não me importo de não receber os créditos de muitas coisas que acontecem por iniciativa minha, eu cá sei.

Não me importo de ter decidido fazer um aborto pois se não o tivesse feito, a minha vida seria o oposto do que é agora e eu não teria a filha maravilhosa que tenho, com o homem que escolhi.

Não me importo que a minha filha se pareça com o pai porque afinal . . . é dele que eu gosto e eu, vejo-me no espelho todos os dias pela manhã.

Não me importo de ter tido uma adolescência inconfessável (enquanto tudo era possível e permitido) pois é graças a essa vivência que posso agora prosseguir sem a angústia de estar a perder alguma coisa.

E a corrente segue para o Rui Tavares, o Daniel Oliveira, o Manuel Correia, o Samuel, o JPT e (por último) uma completa desconhecida que encontrei através de uma pesquisa no google (blog marta de África), a Marta.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

De balão para o Brasil

A minha fantasia de pré-adolescente era atravessar o Atlântico de barco (a remos?!) e ir viver para a Amazónia. Se fosse comida por Leões (?!) seria esse o meu destino, se sobrevivesse . . . era porque “Deus viu que era uma coisa boa”.

Nunca, em toda a minha estouvada adolescência, me lembrei de balões.

Padre pendurado em balões desaparece no ar

(19-05.08) Descobri, entretanto, no lusosfera, um apanhado dos títulos que saíram sobre o tema no Brasil. É, definitivamente, um povo bem humorado.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

É que é já a seguir!

Será que é desta, que eu vou conseguir saber mais qualquer coisa sobre software livre.

Software livre vai ter portal em português

"Presentemente, é possível aceder a software livre em sítios como http://softwarelivre.gov.pt/Produtos (actual página sobre o Software Livre na Administração Pública portuguesa), www.escolaslivres.org/?q=node/11 (página da Associação Ensino Livre), http://www.osliving.com/ (sítio da Open Source Living) ou http://www.whdb.com/ (espaço on-line que divulga inúmeros programas livres comparando-os com os congéneres «tradicionais»)." (IOL - Portugal Diário)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O meu cadilho

Ao contrário do que muita gente possa julgar, a expressão “Quem tem filhos tem cadilhos” não quererá dizer que quem tem filhos tem problemas (Deus nos livre e guarde). Não podiam estar mais longe da verdade. São as crianças que nos salvam de uma vida insípida e rotineira, ou da tragédia de uma vida caída em desgraça, perdida nas noites, com os sentidos ofuscados pelas luzes de néon e pelos vapores de álcool que pairam no ar.
O que declara, e isso será facil de comprovar por quem os tem, é que quem tem filhos tem cadilhos, atilhos, atacadores, baraços, fios, cordéis, cadarços, correntes, linhas, ataduras e muitas fitas e elásticos, cor-de-rosa se for uma filha.

Cadilhos s. m. pl. 1 franjas; 2 preocupações; cuidados (Porto Editora)

Esta reflexão surgiu-me a propósito da auto censura a que estoicamente me submeti. Fosse eu uma pessoa livre e sem amarras, sem preocupações relativamente a brotos que ainda não sabem dizer inconstitucionalidade (quem sabe se algum dia o conseguirão escrever) e estaria eu agora a “malhar em ferro quente” (expressão que analisarei noutra ocasião), como tão bem o sei fazer, sobre tudo o que se tem passado por aqui.

domingo, 13 de abril de 2008

A cantar aos pardais

A música teria sido toda a minha vida, não fosse eu tão retraída, nervosa, perfeccionista, casmurra . . . em suma, tão mau feitio.
Bom . . . não é preciso exagerar, o desejo de ter vida para além dos trinta e uma família normal, também ajudou.
A bem da verdade, quem mais contribuiu para a minha decisão de apontar a agulha para outros carris, foi aquele músico idiota que me disse "casa comigo e serás famosa" . . . mas ainda é uma parte importante de mim.

As únicas pessoas que me ouviram cantar e sabem que canto bem (avalio pelo que oiço sair de mim e pelas reacções que provoco), foram aquelas que apenas se disponibilizaram para tal, ouvir . . . ou harmonizar.
Se me pedem para cantar, a não ser que mo peçam numa carruagem de metro em hora de ponta, eu canto. Se me pedem para mostrar o que valho . . . aí podem ouvir-me zurzuar e nem um pregão da avozinha me sai bem.

Quando sinto essa disponibilidade, necessidade ou oportunidade, canto. Ou melhor ainda, deixo sair.
Já cantei para o oceano e para o rio, cantei para a amiga inconsolável, para o casal de namorados no jardim, para os parceiros de fogueira ou de tertúlia, para os vizinhos que me ouviam da janela e para a avó debilitada (só então consegui cantar para a professora de música, sem a ouvir dizer que não estou a seguir a melodia nem a usar a minha voz no seu melhor tom). Cantei para os familiares e amigos que fizeram questão em estar presentes no único palco que me aguardava (jam sessions não contam), cantei para o meu homem (ainda canto) quando o quis conquistar e cantei para a minha filha canções de embalar . . . e canto para mim . . .

. . . pensando bem, o Sérgio Godinho também é capaz de ter ouvido umas coisas . . .
Que fazer? Não me controlo nos espectáculos dele.

Cantei agora o “Sonho impossível” para os “meus sem-abrigo" . . . lembrei-me da Maria Clementina, a minha mais fervorosa ouvinte, que já partiu . . . esta era a preferida dela . . . será que ouviu?

Os sem-abrigo da machamba

Quem me conhece bem sabe da minha atracção por causas perdidas. Ganhei juízo e já não as tento resgatar mas o magnetismo ainda existe.

Os sem-abrigo que a machamba acolheu já são aproximadamente sete. Nuns dias aparecem mais, noutros menos.
Montaram acampamento (sem tenda, que um sem abrigo que se preze dorme ao relento e também não é conveniente despertar curiosidades) ali, a quinhentos metros da varanda onde tomo o café, fumo, lavo a roupa e lhes observo as rotinas, tão semelhantes às já conhecidas em trabalho de campo informal de outras andanças.
É o ponto de encontro onde, sentados no chão, convivem, descansam, acendem fogueiras (para cozinhar ou para aquecer), tomam banho nuzinhos como vieram ao mundo. Não consegui foi ver de onde vem a água pois nunca a vi chegar.
Sacos trazem eles muitos, de lixo. O lixo da machamba, que já tem três frentes, é lixo de professores, nada com interesse. Andam ao lixo de noite, no centro da cidade e pela manhã trazem-no fresquinho, espalhando-o para o escolher.
Chateia-me mais lixo na machamba, mas espalharem-no, não me incomoda tanto quanto ver pessoas formadas (ou as respectivas empregadas que vai dar no mesmo), com família, casa e emprego assegurados, a fazerem-no.

Agora está lá só um. Aos domingos costumam ser menos, ficam só os desamparados . . . sem-abrigo e sem família . . .
. . . uma trovoada destas, chove que Deus manda e o pobre, debaixo de um plástico no meio da machamba.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Borbulhas

Aqui às voltas com umas borbulhitas que julgo devidas ao chocolate que tenho comido. Reflectindo com os meus botões, chego a uma brilhante conclusão: O acne juvenil, irreflectidamente atribuído às hormonas, é, nem mais nem menos, consequência das carradas de doces que os adolescentes comem (e quem diz doces diz hamburguers, batatas fritas, pão com manteiga, açucar e canela, etc...).

sexta-feira, 14 de março de 2008

Arrematado pela mesa do fundo

Passei dos 100 visitantes!!!

Desde que coloquei na barra lateral aquela tabela com as bandeirinhas, o feedjit, que encontrava em quase todos os blogs, fiquei fascinada com a quantidade de informação que podia retirar disso.

E as bandeirinhas . . . quando aparecia uma nova copiava para dar à filhota.

Depois comecei a ficar feedodependente. Já não me bastavam dez bandeirinhas, nem o saber de e para onde vão os visitantes, queria saber mais. Já não saía do computador. Pouco faltou para ser alimentada a soro (tipo Kit mãos livres). Instalei o geocounter, o geomap e tudo o mais que encontrei.
A coluna de bandeirinhas com números a subir e a piscar, os pontos intermitentes no mapa . . . fiquei hipnotizada.
O feed back dos meus posts é qualquer coisa de extrordinário, nem com o meu marido (ou com os meus irmãos) eu consigo tamanha atenção.
De repente reparo na contagem. Marca 101 . . . "o que é que estou a fazer?" . . . fecho o blog.

Acho que já posso ir estudar.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A abanar o capacete

Descobri porque é que chamam "Rabo de cavalo" ao prender do cabelo atrás . . . também dá para afastar as moscas.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Ele há vocações que não se podem perder

Já há muito que "navego" na net (no meu caso dir-se-ia mais boiar ou flutuar, quanto muito remar). Cusco aqui e ali, a maioria das vezes até perder o rasto da minha rota inicial e se estou à vontade com o anfitrião digo de minha justiça, faço uma provocaçãozinha . . .
Nunca entrei em chats (sempre achei uma designação um pouco duvidosa) nem em nada desse género, vocês podem achar que não parece mas sou uma pessoa reservada. Mesmo o messenger, onde sempre me recusei a embarcar, só há pouco tempo experimentei pois apanharam-me de madrugada, a meses de distância e não resisti àquele "Olá! a tua madrinha está online".

Nestas minhas andaças fui inadvertidamente meter o nariz numa guerra das grandes, entre alguns dos gigantes da blogosfera portuguesa.

Como acontece por vezes, com assuntos que me despertam interesse, lá estava eu de dedo no ar "pfsor eu também me lembro disso". Entretanto, porque achei que o nível de achincalhamento com o Paulo (um outro que à sua maneira também é Querido e é em parte, responsável por este meu blog) exigia alguma da minha atenção, investiguei um pouco e descobri uma rede considerável de "diz que disse", "a minha pilinha é maior" e lavagem de roupa suja que nem na ribeira de Caneças.
Aprendi mais palavrões ontem, técnicos entenda-se, do que em todos os estudos que já fiz.
Muitos blogs depois: "you've got mail" . . . fui saber de desenvolvimentos. A refrega continuava e nem sinal de tréguas.

Retirei-me de mansinho, não vá o "aqui vai água" acertar-me em cheio . . .

Esta minha mania de meter o nariz em tudo . . . mas como diz o meu amigo Miguel "ele há vocações que não se podem perder".

domingo, 9 de março de 2008

"1984"

Em relação aos feeds, que ainda não percebi muito bem como funcionam, (as explicações que encontro referem sindicâncias de conteúdos, actualizações de sites, etc...) nem o seu verdadeiro alcance, parece-me que se assemelham um pouco ao "big brother" do "1984". Tal como o geolocation que quase toda a gente subscreve porque é "muita giro".

Um dá-me bandeirinhas o outro quase me permite ver o telhado do fulano que, em Itália, está neste momento, neste preciso momento, a ver o meu blog.

Posso também ficar a saber que aquele tipo que leu uma referência ao meu post, no Diário de sociologia, veio cuscar e saiu para a página do meu irmão. Talvez possa também, com alguma pachorra, ir à página deste e ver para onde é que aquele seguiu depois.

Isto não é espantoso e assustador?